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Oči nosím ve svém srdci, říká první
nevidomý fotograf na paralympiádě v Riu

Imagem na horizontal , retrato de meio corpo, fazendo a leitura da esquerda para direita, jornalista vestindo camiseta polo azul, ao meio eu com colete beje sobre camisa polo vermelha segurando duas câmeras profissionais e à direita, fotógrafo com colete verde aberto sobre camisa polo preta. Ao fundo, parede com a logomarca dos jogos Rio 2016, nas cores verde escuro, verde claro, azul e branco.

Nejen sportovci na paralympiádě dávají zdravým lidem možnost poznat jejich pohled na svět. Brazilský fotograf Joao Maia má sice zrakové postižení, jeho snímky ale již stihly oblétnout svět a jeho příběh symbolizuje ducha paralympiády. Je to první nevidomý fotograf paralympijských her.

Jednačtyřicetiletý Joao Maia před třinácti lety oslepl po zánětu uveálního traktu. Byla to pro něj velká rána, protože od dětství miloval fotografování a bál se, že se bude muset vzdát svého koníčku. Dnes je sice schopen pouze rozeznávat prostředí na vzdálenost jednoho metru, našel ale způsob, jak své postižení překonat. „Můj život je velká olejomalba,“ říká.

Foto de frente de João Maia com colete marromJoao Maia je první nevidomý fotograf na paralympiádě

Dál dělá to, co ho baví. Maia v současnosti pracuje jako fotograf na paralympiádě v Rio de Janeiru a jeho fotografie jsou, co do výpovědní hodnoty, srovnatelné s těmi od zdravých profesionálů.

Při práci se ptá lidí, kteří jsou poblíž, aby mu popsali atmosféru místa, jak vypadá atlet a jakou barvumá jeho dres.

„To, na čem mi záleží, je kontrast barev. Barvy a zvuky mi udávají směr,“ říká Maio.

Maia doprovází i dvojice asistentů, kteří mu pomáhají v orientaci po stadionech. „Když jsou blízko, zaposlouchám se do tlukotu srdce atletů a zvuku jejich kroků. Tehdy jsem připravený fotit. Ale větší vzdálenosti a příliš mnoho zvuků jsou pro mě složité,“ přiznal fotograf serveruFirstpost.

SEGUNDA ETAPA DO CIRCUITO CAIXA PARALÍMPICO. Discrição da imagem: Três atletas em movimento de corrida, com suas imagens refletidas em um espelho d'Água com da pista vermelha e o céu azul.Jeden ze snímků Joao Maia

Joao Maia nechce jen zaznamenávat momenty jako ostatní fotografové. Dle vlastních slov chce ukázat, jak člověk se zrakovým postižením vidí svět.

Podobně jako sportovci na paralympiádě, i on reprezentuje lidi s postižením. „Nepotřebujete oči, abyste fotili. Oči nosím ve svém srdci,“ dodává.

Fonte: Lidovky

 

Luz, câmera e sensibilidade: como um fotógrafo cego retrata os Jogos Paralímpicos

João Maia trabalhando no Rio2016 sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

João Maia era um dos muitos fotógrafos que se aglomeravam na areia da praia de Copacabana em busca do melhor ângulo para registrar a prova do triatlo dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, no último domingo. Um detalhe, porém, o diferencia dos demais: ele é cego.

“Só preciso dos sentidos”, disse João, em entrevista ao ESPN.com.br. “O deficiente é eficiente. A oportunidade que estou tendo aqui é para que o mundo possa me ver como uma pessoa capaz. Sou deficiente? Sou, mas posso produzir imagens, posso gostar de fotografia.”

O gosto, por sinal, vem de longa data. João ainda era adolescente quando fez um curso de fotografia por correspondência. Quando começou a trabalhar, como carteiro, teve condições de comprar sua primeira câmera semiprofissional e não parou mais de clicar.

Nem quando ficou cego, aos 28 anos. João foi vítima de uveíte, doença inflamatória nos olhos, e hoje, aos 41, consegue perceber apenas vultos, sombras e algumas cores.

O sonho realizado de cobrir a Paralimpíada no Rio de Janeiro veio como parte do projeto Superação, da mObgraphia, que envolve atletas, fotógrafos e editores em diferentes tipos de registro dos Jogos. A ideia é que o resultado vire exposição, livro e documentário.

O convite para que João fizesse parte da iniciativa foi de Ricardo Rojas, um dos líderes da empreitada. Eles se conheceram quando o fotógrafo cobria o Circuito Caixa Paralímpico. “Estava com meu portfólio, mostrei para ele e disse que tinha um sonho de vir aqui. Ele falou: ‘Cara, não te garanto nada’. Era domingo. Na segunda, me ligou: ‘João, manda sua documentação, vou fazer sua inscrição’. Meu coração quase explodiu de alegria.”

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Foto de João Maia da atleta no triatlo, em um domingo, no Rio 2016
Foto de João Maia no triatlo da Rio 2016

No Rio, Rojas está sempre com o João e é um dos que o auxilia a saber o momento exato do registro. “Quando você vê uma imagem boa minha, não tem só minha composição, minha estética. Tem a mão de outras pessoas que me auxiliaram a ter essa imagem tão bonita.”

Entre os registros que João já fez no Rio, estão natação, atletismo, tênis de mesa, futebol de 5, bocha, basquete de cadeira de rodas, entre outros. “Está sendo um grande desafio. Minha zona de conforto sempre foi o atletismo. É uma grande experiência.”

Não é por acaso que João se sente mais familiarizado com o atletismo. Ele mesmo já foi atleta do arremesso de peso e lançamentos de dardo e disco. “Quando vi que meu rendimento já não me possibilitava melhorar, decidi focar na fotografia. Ela me deu uma das maiores alegrias que é estar próximo de todos esses atletas, como fotógrafo”, sorri.

O espírito de atleta que mantém até hoje também o ajuda a saber o momento certo de fotografar. “Quando a gente é atleta, a gente sabe. A emoção, a adrenalina… Quando falam para mim (no triatlo) ‘os salva-vidas já pegaram’, sei que é momento de um clique. ‘Começou a andar.’ Já vou clicando. Aí sei que as imagens ficaram muito boas.”

Além de Ricardo e de sua própria sensibilidade, João também conta com a ajuda de um programa de voz em seu smartphone, que lhe dá autonomia ajustar cada detalhe da foto – algo que não acontece na câmera convencional. Só não peça para ele escolher entre uma de suas duas ferramentas de trabalho.

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Francesa Marie-Amélie Le Fur com a Bandeira da frança nas costas, no Engenhão, sob o olhar de João Maia
Francesa Marie-Amélie Le Fur, no Engenhão, sob o olhar de João Maia

“Essa pergunta é difícil. Em termos de acessibilidade, o celular é muito melhor. Agora, em termos de lentes que te proporcionam uma aproximação maior com o atleta, uma qualidade fabulosa, a câmera é indiscutível. Mas não quero dizer em momento nenhum qual é melhor.”

Seja com um celular ou com uma câmera, a qualidade das fotos de João é indiscutível também. Talvez, por isso, seus amigos atletas vivem pedindo um registro seu. “Você vai confiar num cego?”, ele brinca. “Tira logo, rapaz, a gente confia em você”.

 

 

Fonte: ESPN

João Maia, fotógrafo: `Não quero ser visto como o ceguinho`

João Maia tirando foto de um atleta correndo na pista no fundo árvores

Com deficiência visual desde os 28 anos, João Maia é especializado em registrar imagens de esportes paralímpicos

As referências ainda estavam frescas na memória: havia chovido e seguramente se formariam lâminas de água em alguns pontos da pista de atletismo. O sol já ardia novamente e o contraste seria perfeito. Câmera bem próximo do chão, pouca distância do elemento principal, ângulo correto, bastava respirar e esperar que o atleta passasse pelo quadro e garantir o clique com sua imagem em movimento refletida no espelho de água. Um registro que beira o trivial, não fosse o autor da imagem praticamente cego.

João Maia, 41 anos, piauiense de Bom Jesus, será o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir um evento olímpico, a Paralimpíada do Rio, a partir da quarta-feira 7. Há vinte anos morando em São Paulo, João trabalhava como carteiro e enxergava perfeitamente até os 28 anos, quando uma doença autoimune, a uveíte bilateral, o fez perder a visão, paulatinamente. “Sou cego de um olho e com o outro só enxergo vultos, borrões. Na pista eu sou cego.” João descobriu o esporte e começou a praticar arremesso de peso e lançamento de dardo e disco. Ganhou uma bolsa de estudos, formou-se em história e por pouco não representou o Brasil nos Jogos como atleta.

A paixão do piauiense pelas lentes vem da adolescência, época em que fazia cursos por correspondência no seu estado natal. “Estudei muito, me especializei. A fotografia é para todos.” Ao lado de um colega cadeirante, João foi descoberto enquanto fotografava um evento paralímpico nacional, em 2015, e recebeu convite para integrar o time de fotógrafos da Superação 2016, um projeto artístico que dará origem a uma exposição sobre os Jogos.

João vive sozinho em um apartamento modesto no bairro do Brás e passa o dia todo ouvindo uma voz feminina: seu celular e computador são configurados com um programa de voz que lê todos os comandos. Com incrível destreza, o fotógrafo responde a mensagens, e-mails, envia seus arquivos de foto e trabalha normalmente.

A habilidade tecnológica é uma das razões do seu sucesso. Ele costuma fotografar com uma câmera profissional tradicional, Canon D70, mas na Rio 2016 estará armado apenas com seu iPhone falante. “Com a câmera, fotografo totalmente cego, não tenho ajuda nem como fazer ajustes manuais, é tudo no automático. No celular, uso a câmera como qualquer pessoa.” O aplicativo nativo do smartphone avisa se João está gravando um vídeo, tirando uma foto, com ou sem flash, e até a distância entre ele e seu fotografado. “Não quero ser visto como o ceguinho, o coitadinho, mas como fotógrafo.”

Antes de clicar a foto do atleta com a imagem refletida no espelho de água, João lembrou de uma imagem que tinha visto quase daquele jeito. Pediu a um amigo que o levasse para perto do acúmulo de água, praticamente se deitou no chão e fez vários cliques com seu smartphone a cada vulto que passava à sua frente, até chegar à imagem que queria. “Além de ter sido atleta, o que ajuda na hora de pensar numa foto, converso com todos, de todos os esportes, e eles me dizem que momento é importante, onde será a maior ação, o maior esforço. Faço a composição na minha cabeça e clico.

 

 

Fonte: Veja