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Colagem de 7 fotos diversas de vários atletas e situações de treino

Deficiente visual, fotógrafo João Maia mostra algumas de suas fotos feitas na Paralimpíada

Colagem de 7 fotos diversas

Foram duas semanas incríveis, com muita superação, provas emocionantes e momentos inesquecíveis na Paralimpíada do Rio, alguns deles clicados pelo fotógrafo João Maia, deficiente visual.

Você já viu algumas das imagens de João, feitas em eventos testes meses atrás, e publicadas no Metro Jornal dia 6/7, incluindo uma entrevista. Agora, é hora de acompanhar o resultado de sua cobertura dos Jogos no Rio, uma intensa experiência que, segundo  próprio fotógrafo, vai ficar para sempre em sua memória.

“Um dos momentos que mais gostei foi do Futebol de 5 , com uma arena espetacular, com o público gritando e explodindo na hora do gol. Foi uma coisa única. Não vou esquecer jamais dessa experiência. Aqui, as sensações ficam afloradas. Na Paralimpíada só tem energia positiva.

 

Fonte: Metro

João Maia, o fotógrafo cego dos Jogos Paralímpicos Rio-2016, vai além de sua deficiência

Foto de João Maia sorrindo com uma câmera profissional de blusa verde e colete dentro de um estádio dos jogos paralímpicos 2016

“Uma experiência sensorial e sonora incrível” é como João Maia descreve seu trabalho nos Jogos Paralímpicos Rio-2016, como fotógrafo. Mas o piauiense de Bom Jesus se destaca dos demais profissionais da imagem não só pela competência, mas por um detalhe: é cego.

— O principal é poder fotografar com o olhar do deficiente. É uma fotografia cega, porque só consigo ver vultos e cores fortes a até um metro de distância. Depois, só vejo chuviscos como em imagens de TV fora do ar — explica Maia, que perdeu a visão aos 28 anos, após uma inflamação ocular.

2 corredores na pista, um cego com blusa predominante vermelha e short verde e um guia com blusa laranja e short vermelho
Um dos cliques de Maia, que só enxerga vultos e cores fortes Foto: Reprodução / Instagram / João Maia

 

Antes de ficar cego, ele era funcionário do Correios, origem de sua pensão por invalidez. É esse rendimento que permite Maia fotografar, já que ainda não consegue viver apenas deste trabalho.

— Espero que, depois dos Jogos, as pessoas reconheçam meu trabalho — diz ele, que chegou à Paralimpíada para participar do projeto “Superação”, da Mobgraphia, cujo principal objetivo é retratar as competições com um telefone celular.

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta. A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.
Maia compartilha suas fotos em seu Instagram Foto: Reprodução / Instagram / João Maia

A preocupação com quem perdeu a visão (ou parte dela) está presente no trabalho de Maia. Em seu perfil no Instagram — @joaomaiafotografo —, ele publica todas as suas fotos com a descrição das imagens.

João Maia trabalhando no Rio2016 sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon e um Smartphone com fone de ouvido . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom. Ao lado um senhor com camiseta cinza e colete de imprensa marrom.
João está fotografando na Rio-2016 Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Na Rio-2016, o que ele mais gostou de fotografar foram as partidas de futebol de 5 e goalball, além do atletismo, porque já foi atleta do arremesso de peso.

— Clico os momentos de alegria do público e dos atletas. Quando os torcedores começam a fazer hola, viro a máquina e disparo — conta Maia: — O barulho que eles fazem, para quem é deficiente visual e tem uma audição apurada, é indescritível, sensacional.

Fonte: Extra

Luz, câmera e sensibilidade: como um fotógrafo cego retrata os Jogos Paralímpicos

João Maia trabalhando no Rio2016 sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

João Maia era um dos muitos fotógrafos que se aglomeravam na areia da praia de Copacabana em busca do melhor ângulo para registrar a prova do triatlo dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, no último domingo. Um detalhe, porém, o diferencia dos demais: ele é cego.

“Só preciso dos sentidos”, disse João, em entrevista ao ESPN.com.br. “O deficiente é eficiente. A oportunidade que estou tendo aqui é para que o mundo possa me ver como uma pessoa capaz. Sou deficiente? Sou, mas posso produzir imagens, posso gostar de fotografia.”

O gosto, por sinal, vem de longa data. João ainda era adolescente quando fez um curso de fotografia por correspondência. Quando começou a trabalhar, como carteiro, teve condições de comprar sua primeira câmera semiprofissional e não parou mais de clicar.

Nem quando ficou cego, aos 28 anos. João foi vítima de uveíte, doença inflamatória nos olhos, e hoje, aos 41, consegue perceber apenas vultos, sombras e algumas cores.

O sonho realizado de cobrir a Paralimpíada no Rio de Janeiro veio como parte do projeto Superação, da mObgraphia, que envolve atletas, fotógrafos e editores em diferentes tipos de registro dos Jogos. A ideia é que o resultado vire exposição, livro e documentário.

O convite para que João fizesse parte da iniciativa foi de Ricardo Rojas, um dos líderes da empreitada. Eles se conheceram quando o fotógrafo cobria o Circuito Caixa Paralímpico. “Estava com meu portfólio, mostrei para ele e disse que tinha um sonho de vir aqui. Ele falou: ‘Cara, não te garanto nada’. Era domingo. Na segunda, me ligou: ‘João, manda sua documentação, vou fazer sua inscrição’. Meu coração quase explodiu de alegria.”

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Foto de João Maia da atleta no triatlo, em um domingo, no Rio 2016
Foto de João Maia no triatlo da Rio 2016

No Rio, Rojas está sempre com o João e é um dos que o auxilia a saber o momento exato do registro. “Quando você vê uma imagem boa minha, não tem só minha composição, minha estética. Tem a mão de outras pessoas que me auxiliaram a ter essa imagem tão bonita.”

Entre os registros que João já fez no Rio, estão natação, atletismo, tênis de mesa, futebol de 5, bocha, basquete de cadeira de rodas, entre outros. “Está sendo um grande desafio. Minha zona de conforto sempre foi o atletismo. É uma grande experiência.”

Não é por acaso que João se sente mais familiarizado com o atletismo. Ele mesmo já foi atleta do arremesso de peso e lançamentos de dardo e disco. “Quando vi que meu rendimento já não me possibilitava melhorar, decidi focar na fotografia. Ela me deu uma das maiores alegrias que é estar próximo de todos esses atletas, como fotógrafo”, sorri.

O espírito de atleta que mantém até hoje também o ajuda a saber o momento certo de fotografar. “Quando a gente é atleta, a gente sabe. A emoção, a adrenalina… Quando falam para mim (no triatlo) ‘os salva-vidas já pegaram’, sei que é momento de um clique. ‘Começou a andar.’ Já vou clicando. Aí sei que as imagens ficaram muito boas.”

Além de Ricardo e de sua própria sensibilidade, João também conta com a ajuda de um programa de voz em seu smartphone, que lhe dá autonomia ajustar cada detalhe da foto – algo que não acontece na câmera convencional. Só não peça para ele escolher entre uma de suas duas ferramentas de trabalho.

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Francesa Marie-Amélie Le Fur com a Bandeira da frança nas costas, no Engenhão, sob o olhar de João Maia
Francesa Marie-Amélie Le Fur, no Engenhão, sob o olhar de João Maia

“Essa pergunta é difícil. Em termos de acessibilidade, o celular é muito melhor. Agora, em termos de lentes que te proporcionam uma aproximação maior com o atleta, uma qualidade fabulosa, a câmera é indiscutível. Mas não quero dizer em momento nenhum qual é melhor.”

Seja com um celular ou com uma câmera, a qualidade das fotos de João é indiscutível também. Talvez, por isso, seus amigos atletas vivem pedindo um registro seu. “Você vai confiar num cego?”, ele brinca. “Tira logo, rapaz, a gente confia em você”.

 

 

Fonte: ESPN