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IMAGEM DE João Maia trabalhando no Rio2016  sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

Confira fotos tiradas pelo fotógrafo cego dos Jogos do Rio

João Maia é deficiente visual, mas condição não o impede de registrar imagens incríveis dos Jogos Paralímpico do Rio

O fotógrafo brasileiro João Maia tem sido uma das atrações dos Jogos Paralímpicos 2016, que estão sendo disputados no Rio de Janeiro. O profissional de 41 anos desperta a curiosidade do público pelo fato de Maia ser deficiente visual.

Ex-carteiro em São Paulo, Maia perdeu a visão quase que inteiramente aos 28 anos, devido a uma infecção. Desde então, ele enxega alguns vultos e cores. Mas a condição não o impediu de desenvolver a habilidade na fotografia. Desde o início dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o fotógrafo vem encantando a todos com suas belas imagens.

Confira algumas fotos tiradas por João Maia no Rio 2016:

 

Fonte: iG 

 

Deficiente visual fotografa Paralimpíadas

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta.  A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.

DISCRIÇÃO DA IMAGEM:  Foto na horizontal atleta em movimento de corrida na pista de cor vermelha com listras brancas.  DISCRIÇÃO DO ATLETA:  Atleta em primeiro plano de cor de pele negra, trajando uma regata verde florescente com short azul escuro e tênis laranja, em segundo pleno dois atletas desfalcados, com céu azul.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem na horizontal do atleta Daniel Dias em plano americano, em posição lateral com rosto ligeiramente virado para a esquerda, usando cabelo raspado, cor da pele branca, com sorriso largo, com camiseta do Brasil verde de podiam, com a medalha de ouro no peito é o mascote dos jogos na mão e em segundo plano a torcida na arquibancada ligeiramente desfocada. Maior medalhista brasileiro paralimpico... Daniel Dias!

A deficiência visual não é barreira para fotografar profissionalmente João Batista da Silva ( foto acima) , 41 anos, é morador do Brás em São Paulo, capital – aluno de fotografia eduK há 1 ano e meio.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem do símbolo paralimpico escultura com três elementos em formato de meia lua com dois em pés e um deitado. A meia lua em pé a extrema esquerda vermelho. Logo ao lado direito o outro elemento em pé é azul e o terceiro mais à direita, deitado é verde. Os três emento estão presos em uma base retangular de madeira marrom sobre o piso na cor alaranjada. Ao fundo o céu azul com algumas nuvens esbranquiçadas

Descrição da imagem pracegover: imagem na horizontal com ciclista em primeiro plano fazendo uma curva fechada, usando capacete azul e branco, camiseta predominantemente branca com manga curta azul escuro e número 56 prezo nas costas, bermuda preta, sapatilha verde bem claro e detalhes escuros, quadro da bicicleta predominantemente vermelho com detalhes pretos e amarelos.

Descrição #pracegover  No primeiro plano, jogador de pele Clara sentado em uma cadeira de rodas apropriada para a pratica do rugby em cadeiras de roda, vestindo uniforme vermelho e calça preta, em deslocamento com a cadeira de rodas cinzas em alta velocidade, ao fundo outro jogador da mesma equipe em movimento. Neste segundo plano onde está o companheiro de equipe esta desfocado dando sensação de puro movimento.

João perdeu a visão aos 28 anos por consequência de uma uveíte bilateral. A doença deixa sequelas que só são constatadas tempos depois e, no caso de João, o olho direito teve descolamento de retina, além de zerar a pressão ocular e no esquerdo, uma lesão no nervo ótico o deixou com a visão muito baixa. Hoje ele percebe vultos, cores e formatos (quando estão bem definidos e próximos).

Na adolescência e juventude, João foi atleta e treinou para participar de Olímpiadas: praticava lançamento de peso, dardo e disco. A deficiência visual atropelou o sonho, mas ele superou, se entregou para a fotografia e, em setembro próximo, João vai fotografar as Paralimpíadas Rio 2016 e será o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir o evento. Ele utiliza um aplicativo de celular que o direciona de toda a cena da foto por voz e atende ao comando dele para os cliques, além de câmeras convencionais de fotografia profissional.

No primeiro plano,bola de goolbol azul flutuando em alta velocidade, à frente do jogador. Cor da pele morena, cabelos pretos, vestindo uniforme na cor vermelha, com calças pretas , em posição de ataque agachado com a perna direita levantada e o braço direito à frente fazendo o movimento de lançamento da bola. Ao fundo arquibancada com os torcedores e ao lado direito da imagem a trave.

 Imagem da pista de atletismo do estádio do Engenhão. Em primeiro plano o chão azul claro e logo atrás a pista de atletismo com os atletas , deficientes visuais e seus guias , logo após a linha de chegada da prova dos duzentos metros rasos. São 4 atletas com seus guias. Ao fundo mais acima as luzes do estádio estão acesas e céu escuro da noite.

Foto panorâmica da quadra principal do tênis paralimpico. A imagem mostra uma arquibancada com pouco público e cadeiras mas cores amarelo , laranja e vermelho, ao centro da imagem a quadra aparece enfestais na cor verde. Nas laterais da imagem vemos parte da arquibancada com muita sobra

Descrição pra cego ver : Atleta da modalidade de triathlon , com prótese na perna esquerda , pedalando na prova de ciclismo no percurso de corrida com o piso azul bem forte , lodo atrás da bicicleta uma placa baixa nos tons de verde divide as pistas de corrida. Ao fundo uma grade divide a área onde o público assiste e torce para os competidores.

Descrição #paracegover Atleta correndo da esquerda para direita, com prótese nas duas pernas, vestindo roupa de competição azul e usando um boné também na cor azul. Cor de pele clara e cabelos loiros, com o número 203 pintado no braço direito. Ao fundo estão as divisórias de proteção do circuito em verde claro e prédios no último plano.

 

A fotografia entrou na vida de João ainda na adolescência, mas ele mesmo se define como um simples amante da arte desde então. Tem como ídolo e referência Evgen Bavcar (fotógrafo esloveno – deficiente visual – de grande destaque internacional). João acredita que a disponibilidade para estar sempre se atualizando e aprendendo é essencial para fotografar.

Imagem de uma bengala numa calçada de pedras ao fundo carros e pessoas andando

Ao ser diagnosticado com a deficiência visual, aos 28 anos de idade, João perdeu o emprego de carteiro. Passado o período de aceitação, ele se atirou na fotografia: tomou conhecimento sobre maneiras de se aperfeiçoar. Ele é especialista da editoria de esportes e se dedicou a cobrir eventos como o Circuito Caixa de Atletismo: “Como eu já tinha familiaridade com o ambiente, rotina e toda a percepção do atletismo, ficou mais fácil e hoje acabo conseguindo cliques até melhores que os fotógrafos sem deficiência. Eu sei onde e como o atleta estará no momento da largada, da chegada…sei como me posicionar, monto meu tripé com minha DSLR e disparo o automático na hora exata. ”

imagem de baixo para cima de uma calçada de paralelepípedos ao fundo prédios e pessoas andando

João considera a eduK essencial para a carreira dele: “com os cursos eu consigo entender detalhes, voltar a cena e pegar todo o conteúdo com muita facilidade”.

Hoje, com a meta de participar de um evento olímpico alcançada, João estabeleceu outro objetivo: o de levar a fotografia com acessibilidade para todo o país. “Quero montar uma exposição acessível com minhas fotos onde tenham legendas em braile ou relevo para expandir ainda mais este universo e mostrar que a deficiência não é um fim e sim um começo de uma nova vida”.

“Defino fotografia em 3 palavras: luz, conhecimento e oportunidade”, João Batista da Silva, fotógrafo paulistano, 41 anos, aluno eduK. Primeiro deficiente visual a cobrir uma Paraolimpíada.

 

Fonte: Catraca Livre

Capa do Jornal Conviva da imagem do rosto de João Maia com câmera canon na frente

João Maia pode fotografar sem ver

Deficiente visual, ele conquistou seu lugar num mundo de imagens 

“Minha visão é uma grande aquarela e a fotografia é um quadro que vou pintando com os meus clicks.” A declaração é de João Batista Maia da Silva, 39, deficiente visual e fotógrafo.

João Maia se deparou com a fotografia na adolescência. “Fiz um curso por correspondência pela Fuji Film; na época, eu não tinha dinheiro para comprar uma câmera profissional, mas tinha uma compacta e usava filme fotográfico. Não podia errar, pois o filme era caro e a revelação ainda mais!” Quando veio para São Paulo, lá de Bom Jesus, no Piauí, onde nasceu, comprou uma câmera semiprofissional, uma Zenit.

Começou a perder a visão aos 28 anos, devido ao glaucoma e a uma uveíte bilateral. Mesmo assim, completou o curso de História no Centro Universitário UniSantana, mas achou que não poderia fotografar mais.

Foi então que descobriu o Alfabetização Visual, um curso livre e gratuito de fotografia idealizado pelo fotógrafo João Kulcsár, do Centro Universitário Senac Santo Amaro em 2008. “Com o apoio dos alunos e professores da Faculdade de Fotografia do Senac, não existia mais limites para a minha fotografia.”

“Minha fonte de inspiração foi o esloveno Evgen Bavcar, considerado o maior fotógrafo cego do mundo, com quem tive algumas aulas durante os anos em que frequentei esse curso. Ele mostrou ao mundo que a fotografia não é só para quem enxerga, mas que é possível relacionar imagens com os outros sentidos.”

E o que era hobby virou profissão. João Maia já fotografou casamentos, batizados, aniversários e eventos esportivos.

A técnica

“Para facilitar o trabalho de um fotógrafo cego, como ainda não existe nenhum programa de voz ou leitor de tela na câmera, o primeiro passo é conhecer o equipamento, cada botão, saber segurar, enquadrar e fazer a composição”, explica João Maia.

“É importante também ter um bom assistente, pois, em alguns momentos, é preciso ajustar a câmera conforme as necessidades da foto. Depois, é só deixar a imaginação e a criatividade atuarem juntas e os outros sentidos fazerem o resto.”

João Maia trabalha com uma câmera profissional Canon e seu assistente é o Edson, “que também é meu atleta guia nos treinos e provas de corrida de rua”.

Paratleta

João Maia é paratleta e participa das competições de arremesso de peso, lançamento de dardo e corrida de rua, na categoria F12, para atletas com baixa visão, pela ONG Força no Pé.

Já conquistou ótimos resultados em campeonatos no estado de São Paulo, mas ainda não tem patrocinador. “Treino três vezes por semana no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) da Prefeitura da Cidade de São Paulo e estou tentando obter um índice brasileiro para poder solicitar uma bolsa-atleta do Ministério do Esporte.”

Seu recado

Ao encerrar esta entrevista, João Maia deixa um recado aos leitores do CONVIVA. “Quando disserem que você não pode fazer algo, então, faça! O limite é saber do que somos capazes. Com estudo e muita dedicação, vamos nos adaptando às necessidades. Por exemplo, com meu iPhone, já fiz uma selfie. Quando a câmera aparece, um aplicativo avisa se o rosto está centralizado. Então, eu aperto o botão de disparo, que pode ser o do volume do celular.”

“Faço as minhas fotos no meu tempo e a imagem será tão bela como o sorriso de uma criança e o nascer do pôr do sol!”

Fonte: ADEVA