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Deficiente visual fotografa Paralimpíadas

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta.  A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.

DISCRIÇÃO DA IMAGEM:  Foto na horizontal atleta em movimento de corrida na pista de cor vermelha com listras brancas.  DISCRIÇÃO DO ATLETA:  Atleta em primeiro plano de cor de pele negra, trajando uma regata verde florescente com short azul escuro e tênis laranja, em segundo pleno dois atletas desfalcados, com céu azul.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem na horizontal do atleta Daniel Dias em plano americano, em posição lateral com rosto ligeiramente virado para a esquerda, usando cabelo raspado, cor da pele branca, com sorriso largo, com camiseta do Brasil verde de podiam, com a medalha de ouro no peito é o mascote dos jogos na mão e em segundo plano a torcida na arquibancada ligeiramente desfocada. Maior medalhista brasileiro paralimpico... Daniel Dias!

A deficiência visual não é barreira para fotografar profissionalmente João Batista da Silva ( foto acima) , 41 anos, é morador do Brás em São Paulo, capital – aluno de fotografia eduK há 1 ano e meio.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem do símbolo paralimpico escultura com três elementos em formato de meia lua com dois em pés e um deitado. A meia lua em pé a extrema esquerda vermelho. Logo ao lado direito o outro elemento em pé é azul e o terceiro mais à direita, deitado é verde. Os três emento estão presos em uma base retangular de madeira marrom sobre o piso na cor alaranjada. Ao fundo o céu azul com algumas nuvens esbranquiçadas

Descrição da imagem pracegover: imagem na horizontal com ciclista em primeiro plano fazendo uma curva fechada, usando capacete azul e branco, camiseta predominantemente branca com manga curta azul escuro e número 56 prezo nas costas, bermuda preta, sapatilha verde bem claro e detalhes escuros, quadro da bicicleta predominantemente vermelho com detalhes pretos e amarelos.

Descrição #pracegover  No primeiro plano, jogador de pele Clara sentado em uma cadeira de rodas apropriada para a pratica do rugby em cadeiras de roda, vestindo uniforme vermelho e calça preta, em deslocamento com a cadeira de rodas cinzas em alta velocidade, ao fundo outro jogador da mesma equipe em movimento. Neste segundo plano onde está o companheiro de equipe esta desfocado dando sensação de puro movimento.

João perdeu a visão aos 28 anos por consequência de uma uveíte bilateral. A doença deixa sequelas que só são constatadas tempos depois e, no caso de João, o olho direito teve descolamento de retina, além de zerar a pressão ocular e no esquerdo, uma lesão no nervo ótico o deixou com a visão muito baixa. Hoje ele percebe vultos, cores e formatos (quando estão bem definidos e próximos).

Na adolescência e juventude, João foi atleta e treinou para participar de Olímpiadas: praticava lançamento de peso, dardo e disco. A deficiência visual atropelou o sonho, mas ele superou, se entregou para a fotografia e, em setembro próximo, João vai fotografar as Paralimpíadas Rio 2016 e será o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir o evento. Ele utiliza um aplicativo de celular que o direciona de toda a cena da foto por voz e atende ao comando dele para os cliques, além de câmeras convencionais de fotografia profissional.

No primeiro plano,bola de goolbol azul flutuando em alta velocidade, à frente do jogador. Cor da pele morena, cabelos pretos, vestindo uniforme na cor vermelha, com calças pretas , em posição de ataque agachado com a perna direita levantada e o braço direito à frente fazendo o movimento de lançamento da bola. Ao fundo arquibancada com os torcedores e ao lado direito da imagem a trave.

 Imagem da pista de atletismo do estádio do Engenhão. Em primeiro plano o chão azul claro e logo atrás a pista de atletismo com os atletas , deficientes visuais e seus guias , logo após a linha de chegada da prova dos duzentos metros rasos. São 4 atletas com seus guias. Ao fundo mais acima as luzes do estádio estão acesas e céu escuro da noite.

Foto panorâmica da quadra principal do tênis paralimpico. A imagem mostra uma arquibancada com pouco público e cadeiras mas cores amarelo , laranja e vermelho, ao centro da imagem a quadra aparece enfestais na cor verde. Nas laterais da imagem vemos parte da arquibancada com muita sobra

Descrição pra cego ver : Atleta da modalidade de triathlon , com prótese na perna esquerda , pedalando na prova de ciclismo no percurso de corrida com o piso azul bem forte , lodo atrás da bicicleta uma placa baixa nos tons de verde divide as pistas de corrida. Ao fundo uma grade divide a área onde o público assiste e torce para os competidores.

Descrição #paracegover Atleta correndo da esquerda para direita, com prótese nas duas pernas, vestindo roupa de competição azul e usando um boné também na cor azul. Cor de pele clara e cabelos loiros, com o número 203 pintado no braço direito. Ao fundo estão as divisórias de proteção do circuito em verde claro e prédios no último plano.

 

A fotografia entrou na vida de João ainda na adolescência, mas ele mesmo se define como um simples amante da arte desde então. Tem como ídolo e referência Evgen Bavcar (fotógrafo esloveno – deficiente visual – de grande destaque internacional). João acredita que a disponibilidade para estar sempre se atualizando e aprendendo é essencial para fotografar.

Imagem de uma bengala numa calçada de pedras ao fundo carros e pessoas andando

Ao ser diagnosticado com a deficiência visual, aos 28 anos de idade, João perdeu o emprego de carteiro. Passado o período de aceitação, ele se atirou na fotografia: tomou conhecimento sobre maneiras de se aperfeiçoar. Ele é especialista da editoria de esportes e se dedicou a cobrir eventos como o Circuito Caixa de Atletismo: “Como eu já tinha familiaridade com o ambiente, rotina e toda a percepção do atletismo, ficou mais fácil e hoje acabo conseguindo cliques até melhores que os fotógrafos sem deficiência. Eu sei onde e como o atleta estará no momento da largada, da chegada…sei como me posicionar, monto meu tripé com minha DSLR e disparo o automático na hora exata. ”

imagem de baixo para cima de uma calçada de paralelepípedos ao fundo prédios e pessoas andando

João considera a eduK essencial para a carreira dele: “com os cursos eu consigo entender detalhes, voltar a cena e pegar todo o conteúdo com muita facilidade”.

Hoje, com a meta de participar de um evento olímpico alcançada, João estabeleceu outro objetivo: o de levar a fotografia com acessibilidade para todo o país. “Quero montar uma exposição acessível com minhas fotos onde tenham legendas em braile ou relevo para expandir ainda mais este universo e mostrar que a deficiência não é um fim e sim um começo de uma nova vida”.

“Defino fotografia em 3 palavras: luz, conhecimento e oportunidade”, João Batista da Silva, fotógrafo paulistano, 41 anos, aluno eduK. Primeiro deficiente visual a cobrir uma Paraolimpíada.

 

Fonte: Catraca Livre