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Imagem da tela do video do Globo News aonde a repórter é gravada por João Maia

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Fotógrafo cego vai cobrir a Paralimpíada

Assista o Vídeo clicando aqui

Colagem de 7 fotos diversas de vários atletas e situações de treino

Deficiente visual, fotógrafo João Maia mostra algumas de suas fotos feitas na Paralimpíada

Colagem de 7 fotos diversas

Foram duas semanas incríveis, com muita superação, provas emocionantes e momentos inesquecíveis na Paralimpíada do Rio, alguns deles clicados pelo fotógrafo João Maia, deficiente visual.

Você já viu algumas das imagens de João, feitas em eventos testes meses atrás, e publicadas no Metro Jornal dia 6/7, incluindo uma entrevista. Agora, é hora de acompanhar o resultado de sua cobertura dos Jogos no Rio, uma intensa experiência que, segundo  próprio fotógrafo, vai ficar para sempre em sua memória.

“Um dos momentos que mais gostei foi do Futebol de 5 , com uma arena espetacular, com o público gritando e explodindo na hora do gol. Foi uma coisa única. Não vou esquecer jamais dessa experiência. Aqui, as sensações ficam afloradas. Na Paralimpíada só tem energia positiva.

 

Fonte: Metro

João Maia, fotógrafo piauiense cego, clica a Rio-2016 com a ajuda do som

Descrição da imagem pra cego ver: foto na horizontal , de corpo inteiro . Atleta de cor de pele branca . Cabelos castanhos de braços estendidos segurando a bandeira nas suas costas.de camiseta curta (barriga de fora) branca e short curto preto . Utiliza prótese na altura do joelho na perna esquerda. Com expressão de muita felicidade

O fotógrafo piauiense João Maia, 41, trabalhou durante a Paraolimpíada inteira, mas não viu nada. Cego, tem chamado a atenção do público ao circular pelo estádio carregando a câmera em uma mão e uma bengala na outra.

Maia vê apenas vultos de cores, então trabalha com a ajuda de colegas, que miram a câmera a partir de instruções dele. O momento do clique é decidido com base em outros estímulos, como o som.

No atletismo, modalidade que mais fotografou, conta também com sua experiência no esporte, que praticou por anos depois que ficou cego, aos 28. “Sei quando as coisas importantes acontecem”, diz.

Suas fotos são reconhecíveis por registrarem os mesmos momentos que as de outros fotógrafos, mas de ângulos diferentes.

Maia é afeito à fotografia desde os tempos do Ensino Médio, que cursou em uma escola técnica em sua cidade, Bom Jesus (PI), de 22 mil habitantes. Chegou a fazer cursos por correspondência. Formado, rumou para São Paulo, onde parte de seus dez irmãos já viviam. Virou carteiro, sem parar de fotografar.

“Não sou um profissional, não tenho a pretensão de dizer que minhas fotos são maravilhosas, mas sou um apaixonado. Se as minhas fotos te sensibilizam de alguma forma, isso já basta para mim.”

Foi ficando cego aos poucos, após contrair uma uveíte, doença inflamatória nos olhos. Aposentado por invalidez, ingressou na faculdade de história com uma bolsa de atletismo e passou a fotografar competições do circuito paradesportivo.

“Não sou o único fotógrafo cego, tem um bando por aí, mas sou o primeiro a fazer uma Paraolimpíada, o único com essa experiência”, diz.

Foi parar na Paraolimpíada pelo projeto Mobgraphia, que reúne diversos fotógrafos com deficiência para produzir documentário e livro ao final da cobertura.

O grupo trabalha exclusivamente com fotos de celular. Maia publica as suas no Instagram. As legendas são sempre descritivas e seguidas pelo hashtag #pracegover.

Com programas de leitores de tela, deficientes visuais conseguem ouvir uma leitura do conteúdo, e assim podem “ver” as fotos de Maia.

“Alguns momentos do esporte são difíceis de registrar até para nós, fotógrafos ‘normais’. Ele pega muitos deles. Isso é muito impressionante. Aí vem a sensibilidade. Não se aprende a ser fotógrafo, ou você é ou não é. E o João é”, diz o colega Ricardo Rojas.

 

 

Fonte:  Folha de São Paulo UOL ​Brasil

 

imagem de um celular tirando foto de um campo

Para ser o único

Seleção de futebol de 5 busca o quarto ouro em Jogos Paralímpicos; só o Brasil foi campeão

RIO DE JANEIRO. Única seleção campeã paralimpíca no futebol de 5 com três títulos, o Brasil chega para a grande decisão dos Jogos do Rio mais do que favorito. A diferença dessa final para as outras é que Ricardinho, Jefinho e companhia poderão contar com o apoio da torcida brasileira e conquistar a medalha de ouro em casa pela primeira vez.

Mesmo com esse histórico mais do que positivo, os atletas brasileiros pregam pés no chão para a final contra a seleção do Irã, neste sábado (17), às 17h. “Para a gente é muito bom estar em mais uma final, agora aqui dentro do nosso país. Nós lutamos com unhas e dentes para chegar nessa decisão tão sonhada. Agora é descansar, porque tem mais uma batalha muito difícil”, declara Nonato.

O melhor jogador do mundo na modalidade também sabe que favoritismo não ganha jogo e ressalta a importância de mostrar um bom futebol para subir no lugar mais alto do pódio. “Nós vamos ter uma grande equipe pela frente, vamos ter que jogar bola, desenvolver um bom futebol para merecer essa medalha de ouro, porque, se jogarmos mal, com certeza, vai dificultar”, afirma Ricardinho.

No futebol de 5, praticado por deficientes visuais, a torcida tem que ficar em silêncio quando a bola está em jogo para que os jogadores consigam ouvir as instruções do técnico e dos guias e o barulho da bola, que tem um guizo para que os jogadores possam encontrá-la. Isso não impede que o público aproveite todos os momentos em que a partida é paralisada para apoiar a seleção brasileira.
“A torcida tem incentivado muito, está dando um gás a mais nos jogadores. Nós vamos fazer de tudo”, garante Ricardinho.

Com comentaristas, todo mundo pode ‘ver’ o futebol de 5

RIO DE JANEIRO. Uma das modalidades que mais tem espectadores com deficiências visuais nestas Paralimpíadas é o futebol de 5, disputado por cegos. Mas para quem não pode ver o jogo em campo, a organização dá um jeitinho para incluir todo mundo na torcida. A função dos comentaristas, pela primeira vez de forma oficial nos Jogos, é mais uma forma de inclusão de todos os torcedores.

“A gente faz um trabalho de narração, mas com o detalhe da áudio-descrição. É um serviço prestado principalmente para o espectador cego que vem acompanhar as Paralimpíadas e não pode enxergar diretamente o que acontece na partida. Tem dado resultado, temos recebido muitos elogios, ressalta Bluthiere Lima, comentarista na arena da modalidade.

O serviço é disponibilizado através de uma rádio, que o espectador pode sintonizar direto do celular ou pegar um radinho no balcão de informações da arena. Além do futebol de 5, as modalidades mais procuradas, como natação e atletismo, também oferecem o serviço, que é feito em português e em inglês, para o público estrangeiro.

Bluthiere, que já trabalhava como narrador de rádio, explica a diferença de um trabalho para o outro. “Basicamente, é igual a uma transmissão de futebol no rádio, mas tem que ser muito mais detalhista. Tem que lembrar que a pessoa não tem noção de cor, de dimensão da quadra. A gente tem que estar ligado nos detalhes para descrever, porque o que para a gente é óbvio, para quem nunca enxergou acaba não sendo”, explica.

O fotógrafo João Maia, que tem baixa visão, comemorou quando soube que o serviço de áudio-descrição era disponibilizado nas arenas e ressaltou a importância do trabalho.

“A questão da áudio-descrição é inclusão. Tem que ter mesmo. Eu, por exemplo, tenho baixa visão, mas, se estou longe, só vou ver vultos, de perto também só vejo vultos (risos). Então, um deficiente precisa da descrição dessas imagens, porque, se não, não vai entender o que está acontecendo”, afirma Maia.

 Fonte: O Tempo

imagem João Maia trabalhando no Rio2016  sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

Em meio à aglomeração de fotógrafos que fazem o registro de imagens da Paralimpíada Rio 2016, João Maia chama a atenção de todos. Ao contrário dos outros profissionais, ele é cego. Com o auxílio da audição e da tecnologia, ele prova ser capaz de exercer com maestria a profissão que escolheu, apesar da limitação. “Fotografia é sensibilidade”, ele afirma. (veja o depoimento dele no vídeo acima)

A audição me ajuda e o contraste de cores me facilita”
João Maia

João ficou cego em 2004, aos 28 anos, em decorrência de um caso grave de uveíte bilateral – uma inflamação na camada média do globo ocular. Ele não enxerga com o olho direito, que sofreu descolamento de retina. Já o olho esquerdo tem uma lesão no nervo ótico, além de glaucoma. Clinicamente cego, ele só é capaz de enxergar vultos coloridos à uma distância de até um metro.

Por causa do problema ocular, João faz tratamento periódico no Hospital das Clínicas de São Paulo. Ele começou a fotografar quatro anos depois de ficar cego.

“A audição me ajuda e o contraste de cores me facilita”, explicou João sobre o desafio de fotografar sem enxergar. Ele opera uma câmera profissional com o auxílio de um telefone celular que possui comandos de voz e o indica onde está cada comando do equipamento.

“As pessoas me perguntam se faz diferença fotografar com uma câmera ou com um celular. Mas o que faz a diferença é quem está por trás do equipamento. Como você compõe a foto, imagina a foto. Tudo isso passa pela minha cabeça”, revelou.

Superação
Nascido na cidade de Bom Jesus, no Piauí, João Maia se mudou para São Paulo há 20 anos em busca de melhores condições de vida. Na capital paulista, ele concluiu o curso técnico em agropecuária. O sonho de ingressar numa faculdade só foi realizado após o problema de saúde que lhe tirou a visão.

Nunca é tarde para voltar e começar”
João Maia

“É engraçado como a vida traça caminhos diferentes. Eu só concluí o curso de licenciatura em história depois que eu fiquei deficiente visual, aos 33 anos. Por isso que eu digo: nunca é tarde para voltar e começar”, destacou João, que ingressou no ensino superior graças a uma bolsa de estudos para atletas.

Acostumado a fotografar eventos esportivos, participar da Paralimpíada é o ponto alto da carreira de João Maia. As competições de goalball e futebol de cinco são suas favoritas.
“Todo mundo tem que ficar em silêncio, aí a gente tem que ouvir o guizo da bola. Aí é perfeito para fotografar, porque eu vou seguindo o som com o guizo e tem o contraste das cores, o que proporciona uma imagem de qualidade”, contou João.

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta.  A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.

João Maia faz registro do ciclismo na Paralimpíada (Foto: Reprodução / Instagram)

DISCRIÇÃO DA IMAGEM:  Foto na horizontal atleta em movimento de corrida na pista de cor vermelha com listras brancas.  DISCRIÇÃO DO ATLETA:  Atleta em primeiro plano de cor de pele negra, trajando uma regata verde florescente com short azul escuro e tênis laranja, em segundo pleno dois atletas desfalcados, com céu azul.

João Maia faz registro durante Paralimpíada (Foto: Reprodução / Instagram)

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem na horizontal do atleta Daniel Dias em plano americano, em posição lateral com rosto ligeiramente virado para a esquerda, usando cabelo raspado, cor da pele branca, com sorriso largo, com camiseta do Brasil verde de podiam, com a medalha de ouro no peito é o mascote dos jogos na mão e em segundo plano a torcida na arquibancada ligeiramente desfocada. Maior medalhista brasileiro paralimpico... Daniel Dias!

Maia fez registro do nadador brasileiro Daniel Dias durante Paralimpíada (Foto: João Maia/Divulgação)

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem do símbolo paralimpico escultura com três elementos em formato de meia lua com dois em pés e um deitado. A meia lua em pé a extrema esquerda vermelho. Logo ao lado direito o outro elemento em pé é azul e o terceiro mais à direita, deitado é verde. Os três emento estão presos em uma base retangular de madeira marrom sobre o piso na cor alaranjada. Ao fundo o céu azul com algumas nuvens esbranquiçadas.

Fotógrafo fez registro dos Agitos Paralímpicos da Rio 2016 (Foto: Reprodução/ Internet)

Fonte: G1

João Maia, o fotógrafo cego dos Jogos Paralímpicos Rio-2016, vai além de sua deficiência

Foto de João Maia sorrindo com uma câmera profissional de blusa verde e colete dentro de um estádio dos jogos paralímpicos 2016

“Uma experiência sensorial e sonora incrível” é como João Maia descreve seu trabalho nos Jogos Paralímpicos Rio-2016, como fotógrafo. Mas o piauiense de Bom Jesus se destaca dos demais profissionais da imagem não só pela competência, mas por um detalhe: é cego.

— O principal é poder fotografar com o olhar do deficiente. É uma fotografia cega, porque só consigo ver vultos e cores fortes a até um metro de distância. Depois, só vejo chuviscos como em imagens de TV fora do ar — explica Maia, que perdeu a visão aos 28 anos, após uma inflamação ocular.

2 corredores na pista, um cego com blusa predominante vermelha e short verde e um guia com blusa laranja e short vermelho
Um dos cliques de Maia, que só enxerga vultos e cores fortes Foto: Reprodução / Instagram / João Maia

 

Antes de ficar cego, ele era funcionário do Correios, origem de sua pensão por invalidez. É esse rendimento que permite Maia fotografar, já que ainda não consegue viver apenas deste trabalho.

— Espero que, depois dos Jogos, as pessoas reconheçam meu trabalho — diz ele, que chegou à Paralimpíada para participar do projeto “Superação”, da Mobgraphia, cujo principal objetivo é retratar as competições com um telefone celular.

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta. A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.
Maia compartilha suas fotos em seu Instagram Foto: Reprodução / Instagram / João Maia

A preocupação com quem perdeu a visão (ou parte dela) está presente no trabalho de Maia. Em seu perfil no Instagram — @joaomaiafotografo —, ele publica todas as suas fotos com a descrição das imagens.

João Maia trabalhando no Rio2016 sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon e um Smartphone com fone de ouvido . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom. Ao lado um senhor com camiseta cinza e colete de imprensa marrom.
João está fotografando na Rio-2016 Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Na Rio-2016, o que ele mais gostou de fotografar foram as partidas de futebol de 5 e goalball, além do atletismo, porque já foi atleta do arremesso de peso.

— Clico os momentos de alegria do público e dos atletas. Quando os torcedores começam a fazer hola, viro a máquina e disparo — conta Maia: — O barulho que eles fazem, para quem é deficiente visual e tem uma audição apurada, é indescritível, sensacional.

Fonte: Extra

IMAGEM DE João Maia trabalhando no Rio2016  sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

Confira fotos tiradas pelo fotógrafo cego dos Jogos do Rio

João Maia é deficiente visual, mas condição não o impede de registrar imagens incríveis dos Jogos Paralímpico do Rio

O fotógrafo brasileiro João Maia tem sido uma das atrações dos Jogos Paralímpicos 2016, que estão sendo disputados no Rio de Janeiro. O profissional de 41 anos desperta a curiosidade do público pelo fato de Maia ser deficiente visual.

Ex-carteiro em São Paulo, Maia perdeu a visão quase que inteiramente aos 28 anos, devido a uma infecção. Desde então, ele enxega alguns vultos e cores. Mas a condição não o impediu de desenvolver a habilidade na fotografia. Desde o início dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o fotógrafo vem encantando a todos com suas belas imagens.

Confira algumas fotos tiradas por João Maia no Rio 2016:

 

Fonte: iG 

 

Luz, câmera e sensibilidade: como um fotógrafo cego retrata os Jogos Paralímpicos

João Maia trabalhando no Rio2016 sentado de costas para um painel azul olhando no visor da câmera profissional com uma lente fixa de 300 mm da série branca da Canon . João usa camiseta verde e colete de imprensa marrom.

João Maia era um dos muitos fotógrafos que se aglomeravam na areia da praia de Copacabana em busca do melhor ângulo para registrar a prova do triatlo dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, no último domingo. Um detalhe, porém, o diferencia dos demais: ele é cego.

“Só preciso dos sentidos”, disse João, em entrevista ao ESPN.com.br. “O deficiente é eficiente. A oportunidade que estou tendo aqui é para que o mundo possa me ver como uma pessoa capaz. Sou deficiente? Sou, mas posso produzir imagens, posso gostar de fotografia.”

O gosto, por sinal, vem de longa data. João ainda era adolescente quando fez um curso de fotografia por correspondência. Quando começou a trabalhar, como carteiro, teve condições de comprar sua primeira câmera semiprofissional e não parou mais de clicar.

Nem quando ficou cego, aos 28 anos. João foi vítima de uveíte, doença inflamatória nos olhos, e hoje, aos 41, consegue perceber apenas vultos, sombras e algumas cores.

O sonho realizado de cobrir a Paralimpíada no Rio de Janeiro veio como parte do projeto Superação, da mObgraphia, que envolve atletas, fotógrafos e editores em diferentes tipos de registro dos Jogos. A ideia é que o resultado vire exposição, livro e documentário.

O convite para que João fizesse parte da iniciativa foi de Ricardo Rojas, um dos líderes da empreitada. Eles se conheceram quando o fotógrafo cobria o Circuito Caixa Paralímpico. “Estava com meu portfólio, mostrei para ele e disse que tinha um sonho de vir aqui. Ele falou: ‘Cara, não te garanto nada’. Era domingo. Na segunda, me ligou: ‘João, manda sua documentação, vou fazer sua inscrição’. Meu coração quase explodiu de alegria.”

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Foto de João Maia da atleta no triatlo, em um domingo, no Rio 2016
Foto de João Maia no triatlo da Rio 2016

No Rio, Rojas está sempre com o João e é um dos que o auxilia a saber o momento exato do registro. “Quando você vê uma imagem boa minha, não tem só minha composição, minha estética. Tem a mão de outras pessoas que me auxiliaram a ter essa imagem tão bonita.”

Entre os registros que João já fez no Rio, estão natação, atletismo, tênis de mesa, futebol de 5, bocha, basquete de cadeira de rodas, entre outros. “Está sendo um grande desafio. Minha zona de conforto sempre foi o atletismo. É uma grande experiência.”

Não é por acaso que João se sente mais familiarizado com o atletismo. Ele mesmo já foi atleta do arremesso de peso e lançamentos de dardo e disco. “Quando vi que meu rendimento já não me possibilitava melhorar, decidi focar na fotografia. Ela me deu uma das maiores alegrias que é estar próximo de todos esses atletas, como fotógrafo”, sorri.

O espírito de atleta que mantém até hoje também o ajuda a saber o momento certo de fotografar. “Quando a gente é atleta, a gente sabe. A emoção, a adrenalina… Quando falam para mim (no triatlo) ‘os salva-vidas já pegaram’, sei que é momento de um clique. ‘Começou a andar.’ Já vou clicando. Aí sei que as imagens ficaram muito boas.”

Além de Ricardo e de sua própria sensibilidade, João também conta com a ajuda de um programa de voz em seu smartphone, que lhe dá autonomia ajustar cada detalhe da foto – algo que não acontece na câmera convencional. Só não peça para ele escolher entre uma de suas duas ferramentas de trabalho.

@JOAOMAIAFOTOGRAFO

Francesa Marie-Amélie Le Fur com a Bandeira da frança nas costas, no Engenhão, sob o olhar de João Maia
Francesa Marie-Amélie Le Fur, no Engenhão, sob o olhar de João Maia

“Essa pergunta é difícil. Em termos de acessibilidade, o celular é muito melhor. Agora, em termos de lentes que te proporcionam uma aproximação maior com o atleta, uma qualidade fabulosa, a câmera é indiscutível. Mas não quero dizer em momento nenhum qual é melhor.”

Seja com um celular ou com uma câmera, a qualidade das fotos de João é indiscutível também. Talvez, por isso, seus amigos atletas vivem pedindo um registro seu. “Você vai confiar num cego?”, ele brinca. “Tira logo, rapaz, a gente confia em você”.

 

 

Fonte: ESPN

Jogos Paralímpicos Rio-2016 pelas lentes de um fotógrafo cego

”Não preciso ver para fotografar, tenho os olhos do coração”, disse João Maia

/ Foto: CHRISTOPHE SIMON / AFP

Matéria postada no site JC.

Fonte: JC

Deficiente visual fotografa Paralimpíadas

Foto feita na prova de triatlo para deficiente visual. Vindo da direita para esquerda, atletas mulheres em uma bicicleta de dois lugares na cor azul, com a roda dianteira raiada e a traseira fechada com tampão corta vento na cor preta.  A atleta que guia a bicicleta tem pele bronzeada, veste maiô vermelho e amarelo e usa capacete branco. A atleta sentada atrás tem pele muito branca, veste maiô da mesma cor da companheira e capacete nas cores vermelho e amarelo. Delimitando o traçado do circuito existem divisórias plásticas na cor verde claro e ao fundo estão os prédios da orla de Copacabana.

DISCRIÇÃO DA IMAGEM:  Foto na horizontal atleta em movimento de corrida na pista de cor vermelha com listras brancas.  DISCRIÇÃO DO ATLETA:  Atleta em primeiro plano de cor de pele negra, trajando uma regata verde florescente com short azul escuro e tênis laranja, em segundo pleno dois atletas desfalcados, com céu azul.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem na horizontal do atleta Daniel Dias em plano americano, em posição lateral com rosto ligeiramente virado para a esquerda, usando cabelo raspado, cor da pele branca, com sorriso largo, com camiseta do Brasil verde de podiam, com a medalha de ouro no peito é o mascote dos jogos na mão e em segundo plano a torcida na arquibancada ligeiramente desfocada. Maior medalhista brasileiro paralimpico... Daniel Dias!

A deficiência visual não é barreira para fotografar profissionalmente João Batista da Silva ( foto acima) , 41 anos, é morador do Brás em São Paulo, capital – aluno de fotografia eduK há 1 ano e meio.

Descrição da imagem pra cego ver: Imagem do símbolo paralimpico escultura com três elementos em formato de meia lua com dois em pés e um deitado. A meia lua em pé a extrema esquerda vermelho. Logo ao lado direito o outro elemento em pé é azul e o terceiro mais à direita, deitado é verde. Os três emento estão presos em uma base retangular de madeira marrom sobre o piso na cor alaranjada. Ao fundo o céu azul com algumas nuvens esbranquiçadas

Descrição da imagem pracegover: imagem na horizontal com ciclista em primeiro plano fazendo uma curva fechada, usando capacete azul e branco, camiseta predominantemente branca com manga curta azul escuro e número 56 prezo nas costas, bermuda preta, sapatilha verde bem claro e detalhes escuros, quadro da bicicleta predominantemente vermelho com detalhes pretos e amarelos.

Descrição #pracegover  No primeiro plano, jogador de pele Clara sentado em uma cadeira de rodas apropriada para a pratica do rugby em cadeiras de roda, vestindo uniforme vermelho e calça preta, em deslocamento com a cadeira de rodas cinzas em alta velocidade, ao fundo outro jogador da mesma equipe em movimento. Neste segundo plano onde está o companheiro de equipe esta desfocado dando sensação de puro movimento.

João perdeu a visão aos 28 anos por consequência de uma uveíte bilateral. A doença deixa sequelas que só são constatadas tempos depois e, no caso de João, o olho direito teve descolamento de retina, além de zerar a pressão ocular e no esquerdo, uma lesão no nervo ótico o deixou com a visão muito baixa. Hoje ele percebe vultos, cores e formatos (quando estão bem definidos e próximos).

Na adolescência e juventude, João foi atleta e treinou para participar de Olímpiadas: praticava lançamento de peso, dardo e disco. A deficiência visual atropelou o sonho, mas ele superou, se entregou para a fotografia e, em setembro próximo, João vai fotografar as Paralimpíadas Rio 2016 e será o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir o evento. Ele utiliza um aplicativo de celular que o direciona de toda a cena da foto por voz e atende ao comando dele para os cliques, além de câmeras convencionais de fotografia profissional.

No primeiro plano,bola de goolbol azul flutuando em alta velocidade, à frente do jogador. Cor da pele morena, cabelos pretos, vestindo uniforme na cor vermelha, com calças pretas , em posição de ataque agachado com a perna direita levantada e o braço direito à frente fazendo o movimento de lançamento da bola. Ao fundo arquibancada com os torcedores e ao lado direito da imagem a trave.

 Imagem da pista de atletismo do estádio do Engenhão. Em primeiro plano o chão azul claro e logo atrás a pista de atletismo com os atletas , deficientes visuais e seus guias , logo após a linha de chegada da prova dos duzentos metros rasos. São 4 atletas com seus guias. Ao fundo mais acima as luzes do estádio estão acesas e céu escuro da noite.

Foto panorâmica da quadra principal do tênis paralimpico. A imagem mostra uma arquibancada com pouco público e cadeiras mas cores amarelo , laranja e vermelho, ao centro da imagem a quadra aparece enfestais na cor verde. Nas laterais da imagem vemos parte da arquibancada com muita sobra

Descrição pra cego ver : Atleta da modalidade de triathlon , com prótese na perna esquerda , pedalando na prova de ciclismo no percurso de corrida com o piso azul bem forte , lodo atrás da bicicleta uma placa baixa nos tons de verde divide as pistas de corrida. Ao fundo uma grade divide a área onde o público assiste e torce para os competidores.

Descrição #paracegover Atleta correndo da esquerda para direita, com prótese nas duas pernas, vestindo roupa de competição azul e usando um boné também na cor azul. Cor de pele clara e cabelos loiros, com o número 203 pintado no braço direito. Ao fundo estão as divisórias de proteção do circuito em verde claro e prédios no último plano.

 

A fotografia entrou na vida de João ainda na adolescência, mas ele mesmo se define como um simples amante da arte desde então. Tem como ídolo e referência Evgen Bavcar (fotógrafo esloveno – deficiente visual – de grande destaque internacional). João acredita que a disponibilidade para estar sempre se atualizando e aprendendo é essencial para fotografar.

Imagem de uma bengala numa calçada de pedras ao fundo carros e pessoas andando

Ao ser diagnosticado com a deficiência visual, aos 28 anos de idade, João perdeu o emprego de carteiro. Passado o período de aceitação, ele se atirou na fotografia: tomou conhecimento sobre maneiras de se aperfeiçoar. Ele é especialista da editoria de esportes e se dedicou a cobrir eventos como o Circuito Caixa de Atletismo: “Como eu já tinha familiaridade com o ambiente, rotina e toda a percepção do atletismo, ficou mais fácil e hoje acabo conseguindo cliques até melhores que os fotógrafos sem deficiência. Eu sei onde e como o atleta estará no momento da largada, da chegada…sei como me posicionar, monto meu tripé com minha DSLR e disparo o automático na hora exata. ”

imagem de baixo para cima de uma calçada de paralelepípedos ao fundo prédios e pessoas andando

João considera a eduK essencial para a carreira dele: “com os cursos eu consigo entender detalhes, voltar a cena e pegar todo o conteúdo com muita facilidade”.

Hoje, com a meta de participar de um evento olímpico alcançada, João estabeleceu outro objetivo: o de levar a fotografia com acessibilidade para todo o país. “Quero montar uma exposição acessível com minhas fotos onde tenham legendas em braile ou relevo para expandir ainda mais este universo e mostrar que a deficiência não é um fim e sim um começo de uma nova vida”.

“Defino fotografia em 3 palavras: luz, conhecimento e oportunidade”, João Batista da Silva, fotógrafo paulistano, 41 anos, aluno eduK. Primeiro deficiente visual a cobrir uma Paraolimpíada.

 

Fonte: Catraca Livre