imagem da capa da revista conviva com foto de joão maia

Capa do Jornal Conviva da imagem do rosto de João Maia com câmera canon na frente

João Maia pode fotografar sem ver

Deficiente visual, ele conquistou seu lugar num mundo de imagens 

“Minha visão é uma grande aquarela e a fotografia é um quadro que vou pintando com os meus clicks.” A declaração é de João Batista Maia da Silva, 39, deficiente visual e fotógrafo.

João Maia se deparou com a fotografia na adolescência. “Fiz um curso por correspondência pela Fuji Film; na época, eu não tinha dinheiro para comprar uma câmera profissional, mas tinha uma compacta e usava filme fotográfico. Não podia errar, pois o filme era caro e a revelação ainda mais!” Quando veio para São Paulo, lá de Bom Jesus, no Piauí, onde nasceu, comprou uma câmera semiprofissional, uma Zenit.

Começou a perder a visão aos 28 anos, devido ao glaucoma e a uma uveíte bilateral. Mesmo assim, completou o curso de História no Centro Universitário UniSantana, mas achou que não poderia fotografar mais.

Foi então que descobriu o Alfabetização Visual, um curso livre e gratuito de fotografia idealizado pelo fotógrafo João Kulcsár, do Centro Universitário Senac Santo Amaro em 2008. “Com o apoio dos alunos e professores da Faculdade de Fotografia do Senac, não existia mais limites para a minha fotografia.”

“Minha fonte de inspiração foi o esloveno Evgen Bavcar, considerado o maior fotógrafo cego do mundo, com quem tive algumas aulas durante os anos em que frequentei esse curso. Ele mostrou ao mundo que a fotografia não é só para quem enxerga, mas que é possível relacionar imagens com os outros sentidos.”

E o que era hobby virou profissão. João Maia já fotografou casamentos, batizados, aniversários e eventos esportivos.

A técnica

“Para facilitar o trabalho de um fotógrafo cego, como ainda não existe nenhum programa de voz ou leitor de tela na câmera, o primeiro passo é conhecer o equipamento, cada botão, saber segurar, enquadrar e fazer a composição”, explica João Maia.

“É importante também ter um bom assistente, pois, em alguns momentos, é preciso ajustar a câmera conforme as necessidades da foto. Depois, é só deixar a imaginação e a criatividade atuarem juntas e os outros sentidos fazerem o resto.”

João Maia trabalha com uma câmera profissional Canon e seu assistente é o Edson, “que também é meu atleta guia nos treinos e provas de corrida de rua”.

Paratleta

João Maia é paratleta e participa das competições de arremesso de peso, lançamento de dardo e corrida de rua, na categoria F12, para atletas com baixa visão, pela ONG Força no Pé.

Já conquistou ótimos resultados em campeonatos no estado de São Paulo, mas ainda não tem patrocinador. “Treino três vezes por semana no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) da Prefeitura da Cidade de São Paulo e estou tentando obter um índice brasileiro para poder solicitar uma bolsa-atleta do Ministério do Esporte.”

Seu recado

Ao encerrar esta entrevista, João Maia deixa um recado aos leitores do CONVIVA. “Quando disserem que você não pode fazer algo, então, faça! O limite é saber do que somos capazes. Com estudo e muita dedicação, vamos nos adaptando às necessidades. Por exemplo, com meu iPhone, já fiz uma selfie. Quando a câmera aparece, um aplicativo avisa se o rosto está centralizado. Então, eu aperto o botão de disparo, que pode ser o do volume do celular.”

“Faço as minhas fotos no meu tempo e a imagem será tão bela como o sorriso de uma criança e o nascer do pôr do sol!”

Fonte: ADEVA

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